De todas as coisas bonitas no mundo, foi você quem eu pintei nessa minha ideologia do que há pra se amar. E o mantive ali, primeiro porque não sabia mais ser sem ver teus rabiscos de existência sorrindo - pensava que sorria - pra mim, colorindo os dias cinzas. Mas não secando as gotas salgadas e chuvosas das vezes que me fizeste chorar. Porque chorei, sim, por tua causa, todo o inimaginável de lágrimas quando comecei a notar o desbotar das tuas cores. Então, talvez por tolice de época, continuar sendo a mesma ou ter feitio dos que culpam apenas a si mesmos, a verdade é que nunca, nunquinha, te coloquei ao pé do juri como culpado de tudo o que sofri. Ora, eramos - somos - ainda tão jovens, ingênuos pelo bom gosto de assim o ser nessa idade, que não existiria maldade maior do que julgar as minhas ilusões maiores do que foram. É fato, eu te amei. Pelo menos é como via as coisas na época. No entanto, agora parece ideia digna de risos e confabulação. Você não dava esperanças de sentir o mesmo, mas também não me mandou ir pra casa, descansar. E no fim das contas, penso ter me cansado de ti. Apaguei o que podia das imagens suas guardadas na mente e segui como podia. Para te reencontrar mais tarde, com mágoa adormecida no peito e mesmo assim aceitar como (novo) amigo alguém que nunca deixei de querer bem. O resto do conto, todos e nós mesmos conhecemos muito bem. Aquele vai-e-volta de desgosto, gosto, combino ou não, é nossa marca registrada. Pelo menos pra mim. Agora, não sei se meus sentimentos estão menos densos ou apenas quietos, maduros. Porque te vejo como irmão, companheiro de viagem, pra contar como meu e vai... Perto de você me sinto segura por confiança pura. E mesmo que encontre vários borrões na tua figura idealizada que pintei um dia, posso hoje afirmar com certeza: não troco mais um dia sendo sua amiga por nada deste mundo. Eu aprendi o amor sem lascívia contigo, compreende?
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